A arte de construir instrumentos

Esse post faz parte do desafio de blogagem inédita proposto pelo Edney Souza.

Talvez você já tenha pensado a respeito de como são os projetos para construir instrumentos em astronomia. Ou não? Não se trata apenas de juntar um bando de físicos, engenheiros e programadores, enfiar numa sala, os trancar, e voilá, ter o bicho funcionando. Claro que se fosse tão simples, seria ótimo. Um projeto desses precisa de um gerenciamento bacana e bom incentivo. E da demanda também, quais tipos de observações são necessárias no meio astronômico?

O Brasil, há anos, tenta terminar de uma vez a construção de um instrumento de grande porte para ser usado em algum telescópio de tamanho médio/grande, como o SOAR (Southern Astrophysical Research Telescope, situado no Chile, fruto de uma colaboração entre vários institutos dos EUA, Brasil e Chile), onde a comunidade brasileira tem boa porcentagem de participação nas observações. Aqui no Brasil, já tivemos (e continuamos tendo) projetos bons em instrumentação bem-sucedidos, como os instrumentos em uso atual no telescópio do LNA (Laboratório Nacional de Astrofísica), nos radio-observatórios de Atibaia e de Cachoeira Paulista, além de inúmeros outros.

Já teve início iniciativas para instrumentos no SOAR, como as do LNA com seus dois projetos, meio que em andamento (a passos lentos, mas logo vai andar de vez), o STELES e o SIFS.

A mais recente, chamado Brazilian Tunable Filter Imager, teve início em meados de 2006. É liderado pelo IAG/USP com colaboração de várias instituições brasileiras e do exterior e seu objetivo é construir um imageador com interferômetro Fabry-Perot (um tipo de interferômetro, que só deixa passar um comprimento de luz) com previsão de conclusão em meados de 2009. Um instrumento com essas características (veja mais por si mesmo no site do projeto, na seção de links) é inédito no país e vai ser um incremento e tanto para os astrônomos brasileiros.

O que se precisa para construir um instrumento desse porte? Primeiro, achar quem financie 🙂 Aqui no Brasil, geralmente fica por conta dos órgãos financiadores, como o CNPQ, a FAPESP, etc…
Depois, bom, tem a equipe, certo?
Sempre tem o principal investigador, responsável por estabelecer os objetivos científicos, e em boa parte das vezes, é quem geralmente teve a idéia do instrumento. Temos o time científico, que organizará as observações e o que se pode extrair delas. Temos o gerente do projeto também, que cuida de dar as linhas gerais do projeto, como cronogramas, contatos com fabricantes das peças mecânicas, ópticas e eletrônicas, regras de documentação, etc, basicamente, dar chicotadas se as coisas não estiverem de acordo com os prazos.
E, por fim, mas não menos importante, a equipe técnica, responsável por partir do conceito para a parte prática, subdividida nas áreas de software, mecânica, óptica e testes/integração.

E não é apenas dessa forma que podemos nos aventurar na instrumentação em astronomia. Para os aventureiros e sedentos por diversão do tipo “mão-na-massa” caseira, dá para perfeitamente pegar um motorzinho de impressora, um telescópio (daqueles de uso em astronomia amadora), acoplar a ele o motorzinho e uma webcam (para tirar as fotos), programar um bocado para fazer o conjunto funcionar e brincar no quintal de casa. Óbvio que tem a solução de comprar tudo pronto, para os apressadinhos.

Finalizando, essa é apenas uma das áreas em que podemos pôr a toda prova a nossa engenhosidade humana! 😀

Links adicionais:
SOAR Telescope
INPE – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, um dos melhores lugares para quem quer fazer uma pós na área de instrumentação.
Projeto BTFI
Projeto STELES
Projeto SIFS

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Sobre giseli

Eu: Engenheira, sedenta por bits e chocólatra assumida. Além de ser fã de IAs, principalmente Wintermute e HAL9000
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2 respostas para A arte de construir instrumentos

  1. Santaum disse:

    Fiquei interessado nessa parte de astronomia amadora aí, heheheehheeh…

    P.S.: Te mandei um meme! Depois você vê lá na cabala santaumniana…

  2. giseli disse:

    Ah, valeu pelo toque do meme! hehe
    Então, a parte de astronoma amadora, eu só sei ver o céu hehe. Essa parte de “motorizar” foi uma idéia que tive no decorrer da Campus Party, mas o problema é tempo 😦 Mas um dia vai!

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