Supercrunchers – a estatística a seu favor

Recebi de cortesia o livro “Supercrunchers” (ah, esse link tem o primeiro capítulo para download grátis 🙂 ), de Ian Ayres, um livro meio que na mesma linha de Freakonomics (que não li…) e que se foca na estatística. Mais especificamente, em como alguns programas armados de métodos estatísticos podem ser excelentes “tomadores de decisão”, suplantando até mesmo os especialistas humanos. São chamados de Supercrunchers os especialistas devoradores de números, que criam métodos para a superanálise, que detectam relações entre coisas aparentemente nada em comum e podem prever tendências futuras a partir dos dados passados. Desde modo, pode se ter novas interpretações dos dados que não seriam percebidas. Uma aplicação interessante vista no texto é a possibilidade de prever o valor e a qualidade de um vinho, a partir de dados colhidos sobre as temperaturas anteriores das colheitas das vinícolas. Uau!

Já chegamos no ponto em que boa parte das decisões são tomadas por programas, e decisões baseadas em experiência e intuição são mais sujeitas a falhas.
Uma coisa assustadora mostrada no livro é que as empresas usam a superanálise para saber o quão lucrativos os clientes podem ser. Até sabem o seu “ponto de dor”, que é o limite de dinheiro que você está disposto a perder e continuar cliente da empresa. Felizmente, também temos a opção de usar a nosso favor os dados, mas temos que saber usá-los…

O livro pode ser divertido mesmo para os não-iniciados no mundo da estatística, pois o autor raramente faz uso de equações (e quando aparecem são simples), e simplifica os conceitos de modo a ser acessível para os leigos. Se bem que isso acaba virando um ponto fraco também, pois quem tem noções básicas de estatística pode aproveitar plenamente as idéias contidas no livro (ou pode reclamar da falta de detalhes), enquanto que quem não tem nenhuma noção, pode não conseguir aproveitar 100%, perde um pouco da experiência de ver a estatística aplicada na prática – quais as fórmulas por trás das aplicações.

Uma questão interessante surge, o que acontece com os especialistas? Eles ficarão obsoletos? Não, os programas de superanálise complementarão as habilidades dos especialistas, portanto, eles não precisam se preocupar com seus empregos. Mas ainda falta muito para chegar a uma “compreensão mútua” entre as partes. Especialistas podem se deixar levar por egos e emoções. Não gostariam de pensar que um programa toma decisões e faz diagnósticos melhores que eles. Ah… as vaidades humanas. Tsc.

Senti falta de uma seção que listasse os sites e livros mencionados no decorrer do texto e também referências adicionais para que os leitores dispostos a aprender mais saibam por onde começar. Fora umas poucas falhas no texto, o livro foi uma leitura agradável. Aprendi o quão reveladores nossos dados digitais podem ser sob a luz da análise estatística…

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Sobre giseli

Eu: Engenheira, sedenta por bits e chocólatra assumida. Além de ser fã de IAs, principalmente Wintermute e HAL9000
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7 respostas para Supercrunchers – a estatística a seu favor

  1. Jorge disse:

    Análise excelente Gi, gostei muito ! Você vai direto nos pontos fracos e fortes do livro, de modo claro e suscinto.

    Apenas eu gostaria de fazer uma resalva: Na minha área, gerência de projetos, nós usamos tanto programas para fazer análise paramétrica
    como consulta de especialistas para a modelagem dos projetos. O uso de uma ferramenta de SW, por mais sofistica que seja, não prescinde a análise dos dados e tomada de decisão final por um profissional responsável.

    Os programas de análise estatística apresentam resultados tão bons quanto os dados entrados nele: Garbage in, Garbage out.

    Beijos

  2. Fábio disse:

    muito interessante para uma história de FC… 🙂
    Valeu pela informação, Gi! Vou correr atrás desse livro!

  3. giseli disse:

    Jorge, de fato, o que os programas devem fazer é auxiliar os profissionais, não substituí-los. Aliás, alguém precisa botar os dados no programa e ainda ter as idéias a serem testadas né? 🙂

    Fábio, de fato seria uma boa história de FC! Você já viu o conto do Cory Doctorow, que se baseia num futuro dominado pelo Google? Assustador…

  4. Sergio Keller disse:

    Acredito que o google é disparado o exemplo máximo, tanto do potencial da análise estatística, quanto do terror sci-fi / cyberpunk. Os videozinhos EPIC e Promotheus (tem no youtube) podiam muito bem fundamentar uma nova saga de Willian Gibson.

  5. giseli disse:

    Sergio, eu vi o EPIC… agora esse Promotheus, não vi não. Vou dar uma olhada então!
    È, sinto falta de novas histórias do Gibson… será que ele escreverá mais cyberpunk? Maybe not, porque parece que é um gênero que já teve sua época de ouro e vai ser sucedido por um novo gênero… talvez new weird? Ou steampunk?

  6. Cris disse:

    Enquanto isso fico na expectativa de um programinha inteligente que você alimenta com dados e te entrega o relatório pronto. Esse ia ser uma maravilha!!

    Por hora, dá-lhe linear regression, cluster analysis, correlation matrices, odds ratio, chi-square…

  7. giseli disse:

    Cris, seria mesmo uma maravilha, não? Programas que se alimentam de dados já existem, mas só fornecem os números por enquanto. Quem sabe se usar um pouco uma lógica proposicional e de predicados junto se tenha um sistema especialista em… relatórios?
    E quero aprender esses conceitos aí que você mencionou hehe

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