O Homem do Castelo Alto e Mindfulness

Recentemente reli um livro do Philip K. Dick, “O Homem do Castelo Alto”, um livro impressionante, cujo cenário é um mundo paralelo onde os Aliados foram derrotados na Segunda Guerra Mundial e o mundo é dividido entre os vencedores, Alemanha e Japão, numa espécie de Guerra Fria às avessas.
Como é típico do autor, a trama não é focada no cenário e sim nos personagens e no modo como eles interagem com esse mundo. Tem I-Ching no meio da história e o modo como os conselhos deste se ajustaram à história me deu até vontade de brincar com o I-Ching. Se bem que, na vida real, os conselhos dados por qualquer coisa mística provedora de conselhos são sempre vagos, na minha opinião.
No decorrer da história surge à tona a existência de um livro que descreve uma história paralela onde os Aliados ganharam a guerra e, obviamente, no livro, as potências do Eixo proibíram o livro.

Quis dar uma pequena introdução ao livro (recomendo a leitura) para não se perderem muito. Agora chega de enrolação e vamos ao que me interessava expor aqui. Num certo momento do livro, um personagem atinge um estado chamado de “mindfulness“, palavra exposta por uma amiga minha e da qual eu não tinha conhecimento. Como toda coisa nova que me cai no colo, ou melhor dizendo, no meu campo visual, resolvi pesquisar um pouco sobre esse conceito.

Ora, para minha surpresa, era algo que eu já tinha aprendido (mas para minha vergonha, não pratiquei muito) na leitura de textos sobre budismo. Mindfulness é meramente o ato de prestar atenção somente ao presente, apenas, se abstendo do passado e do futuro, além de eliminar quaisquer outros pensamentos paralelos. E aceitando os pensamentos como eles são, sem fazer julgamentos. Um tipo de meditação de olhos abertos e feita em qualquer posição (não requer posição de lótus ou qualquer posição contorcionista do ioga).

E no Jedaíismo, é o que se chamaria de “estado da Força” (não, não estou no jedaíismo, mas admito que já pratiquei por um tempo essa filosofia, há uns anos atrás).

Essa atitude mindfulness (em bom português seria algo como plena atenção) é extremamente útil para o stress, por exemplo. Ou quando se lida com algum problema. Independentemente de sua “utilidade”, é uma atitude que vale a pena incorporar no dia-a-dia.

Nada como aprender palavras novas 🙂

Para saber mais… Mindfulness (Wikipedia)

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Sobre giseli

Eu: Engenheira, sedenta por bits e chocólatra assumida. Além de ser fã de IAs, principalmente Wintermute e HAL9000
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11 respostas para O Homem do Castelo Alto e Mindfulness

  1. Aaaahhhh O Homem do Castelo Alto… Eu quero muito ler esse livro! =D
    Quanto ao mindfullness, é interessante, mas uma vez li algo que meio que é um… “contra-peso”. Um psicólogo escreveu num livro, sobre imaginação e o modo como achamos que nosso futuro vai ser, que a imaginar coisas ruins, por exemplo, é uma forma de se preparar contra elas caso elas aconteçam, um modo que o cérebro arranja de fazer as coisas ficarem mais fáceis pra quando (ou, melhor, se) elas acontecerem. O mindfullness poderia ser usado pra se acalmar e não pensar nos problemas do futuro e tal. É um jeito de lidar com ele, mas o outro também é válido 😉 a evolução moldou a nossa imaginação histérica pro cérebro ser capaz de lidar com certas situações.

    Sei que não se aplica só nos perigos, mas sei lá, foi algo que me veio à mente ^^

    E.. O Jedaiísmo… É isso mesmo que eu to pensando? =D Star Wars? lol

  2. Jorge disse:

    Engraçada essa definição de mindfulness… desta forma os animais estariam sempre plenamente atentos, pois cachorros gatos e galinhas não pensam no futuro com certeza… 😛

    O que difere o ser humano dos outros animias é que ele é o único que sabe que irá morrer um dia… Essa percepção e que faz (ou devia fazer) de cada dia nosso uma coisa preciosa..

  3. henriquewint disse:

    A história parece bem interessante, já coloquei na lista de possíveis livros para ler…

  4. giseli disse:

    Rev. Peterson, de fato, vale a pena ler o livro! Você ia curtir as altas viagens do Dick! Interessante seu comentário… sobre o “contra-peso”. Esse tal de estado de plena atenção não precisaria ser praticado o tempo todo, senão onde vão caber o passado e o futuro? Vamos dizer que eu consideraria mindfulness como um tipo de função de Esvaziar Lixeira Mental, daí fica mais focado nas especulações do futuro e usar mais eficientemente a base de conhecimentos do passado. Termos à mão várias técnicas mentais é de tremendo auxílio.
    Sobre Jedaíismo… é isso mesmo que tu tá pensando, tem algo a ver com SW sim. Seria a religião dos Jedis, que basicamente pega elementos do budismo e de outras filosofias de vida ascéticas e algumas técnicas de concentração. E só. Até agora não vi academia ensinar a lutar com sabre-de-luz… 😦

  5. giseli disse:

    Jorge, acho que meus gatos não ficam sempre em estado de atenção. Só dormem hehehe Não me leve a mal, mas como você sabe o que os animais podem pensar? Vai que pensem em coisas que nós nunca imaginamos. Não necessariamente em coisas abstratas, mas já que nunca conseguimos estabelecer comunicação com eles, não podemos dizer se eles já pensaram alguma vez no futuro.

    Henrique, considere botar o livro na lista de compras sim 😀 Considero o livro como a melhor obra do Dick. Claro que as obras que inspiraram os filmes Blade Runner e O Vingador do Futuro (além de outras) merecem mérito, mas foi esse mesmo do qual gostei muito.

  6. Santaum disse:

    Fantástico. Fantástico.

    Era dessa definição que eu estava precisando!!!!!

  7. Fábio disse:

    Plena atenção é a tradução perfeita que o budismo usa. É algo de que todos precisamos. Ah, meus tempos de meditação no templo de Santa Teresa, que saudade! 😦

  8. Cris disse:

    Eu conheço uns pesquisadores de meditação que sintetizam a essência do mindfulness em uma única frase:

    “O presente é o único momento que existe”.

  9. tarsischwald disse:

    Bom, estou com Valis em casa, mas fiquei com vontade de ler muitos livros desse cara…

    bj

    T§ – de madrugada eu tenho tempo de visitar blog e baixar músicas 😀

  10. Fatima disse:

    Gisele,
    Olá!

    Chamou minha atenção tua menção aos Jedis (e jedaísmo), lembrei de um livro que li este ano (Star Wars e a Filosofia de Willian Irwin), bem bacana, por sinal.

    Quanto ao livro que vc mencionou, fiquei curiosa e ansiosa para lê-lo!
    Valeu pela dica!
    🙂

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