Altruísmo numa sociedade egoísta

Uma das coisas que acho mais nobres no ser humano e que tento exercitar é a virtude do altruísmo. Em termos mais concretos, eu gosto de dar coisas de presentes para a família e para os amigos mais chegados. Tá, não é sempre, mas sabe quando você passeia por aí e vê algo que tu acha que algum amigo/alguém da família vai gostar e resolve comprar na hora? Ou quando alguém está numa situação complicada e tu tem a maior vontade de ajudar a pessoa a resolver?

Pois é… infelizmente o altruísta é visto meio que com desconfiança, como se a cada atitude de presentear ou de ajudar exigisse algo em troca. É claro que isso não acontece em épocas de calamidades ou catástrofes, quando as pessoas se dispõem a doar valores e alimentos para os desabrigados e todo mundo sabe que são solidários. Mas quando se trata de receber ajuda de uma só pessoa… aí em geral desconfiam de segundas intenções. Ou é tachado de ingênuo.

Li uma matéria na Istoe que meio que confirmou minhas impressões sobre como a sociedade vê o altruísta. De fato, ser bondoso e altruísta é visto como fraqueza numa sociedade onde para se afirmar, passar por cima de algumas convenções e o egoísmo são as normas.

Não era bem novidade para mim saber que essa virtude não é vista com bons olhos, ainda mais vivendo num país que se orgulha do “jeitinho brasileiro e malandro”. Mesmo assim, sou otimista e sei que ainda há esperanças para a humanidade aprender a ser altruísta. Ou será que não passa de utopia mesmo?

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Sobre giseli

Eu: Engenheira, sedenta por bits e chocólatra assumida. Além de ser fã de IAs, principalmente Wintermute e HAL9000
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12 respostas para Altruísmo numa sociedade egoísta

  1. Interessante a matéria.

    É verdade, altruísmo é visto com bastante desconfiança. Se bem que existem meios e meios de exercitar o altruísmo.

    Mas quero acrescentar que existem algumas coisas na vida que minam a sua boa vontade de ajudar – não deveriam, eu sei.

    Anos atrás houve uma época em que resolvi tomar uma atitude diferente e começar a sorrir e cumprimentar aquelas pessoas que te dão papelzinho na rua, fazem pesquisa, ou pedem dinheiro; justamente aquelas pessoas que a maioria dos passantes evita ou nem olha na cara. Fiz isso durante algumas semanas, às vezes literalmente me forçando a fazer uma cara boa às oito da manhã quando estava morrendo de sono e doida pra ficar quieta.

    Até que um dia aconteceu uma coisa chatíssima. Eu passei, sorri e cumprimentei cordialmente um sujeito de uma financeira que estava fazendo propaganda na porta da loja. Em resposta, ele me disse uma gracinha muito estúpida, que me deixou com raiva de verdade. Eu sei que não devia dar a certas pessoas o poder de mudar as minhas atitudes, mas esse cara de algum modo destruiu a vontade que eu tinha de ser cordial com as pessoas na rua. Me senti uma idiota.

    O resultado foi que imediatamente parei de fazer isso. E ainda mais: percebi que fico mais segura na rua quando ando de olhos abertos, com cara de poucos amigos e me desviando de qualquer um que se coloque na minha frente. São Paulo É uma cidade violenta, você sempre corre o risco de ser assaltado e nessas condições não adianta querer ser bonzinho. Não tem jeito.

  2. É, eu também gosto de ter essa esperança. O modo como os altruísmos são vistos é uma consequência dessa selva de pedra na qual a gente vive. Todo mundo desconfiado de todo mundo, sempre com uma pedra na mão, só esperando a hora de atacar… Sabendo que sim, alguém vai atacar… Acho isso tudo um saco =]

  3. Fabio disse:

    Gi, não desiste não. Tem jeito sim, sempre tem. Agora, que quase todo mundo sempre quer o seu, isso é verdade. A maioria de nós quer. Mas uma coisa não invalida outra. Eu quero o meu – mas o “meu” costuma estar condicionado aos “outros”. Foi por isso que fiz tantas coisas pela FC em 2008.

    Em 2009 não vou fazer mais – justamente porque várias pessoas, de maneira muito burra, decidiram fazer esforço contra algumas iniciativas minhas. É uma pena. Continuo querendo o “meu”, e esse “meu” (que é a publicação de muita FC boa no Brasil) vai continuar acontecendo e ajudando os outros. Apenas vai demorar mais tempo por causa dos egoístas.

  4. Demian disse:

    No terceiro ano do segundo grau, tinha uma colega que morava no mesmo bairro que eu e que pegava carona comigo e minha irmã quando voltávamos da escola. Ela tirou carteira e começou a dirigir, peguei algumas caronas com ela. Passávamos por pessoas no ponto de ônibus(bairro com poucas linhas) e ela comentou sobre como seria melhor se mais pessoas dessem carona, ela pensava se devia fazer isso com o carro da mãe e tal. Falei pra ela tentar. Paramos em vários pontos e oferecemos carona, falamos onde estávamos indo. Perguntaram quanto era, se não tinha mesmo de pagar nada. Ao ouvirem que sim desconfiavam. Ninguém quis pegar. Era um fato estranho, além de potencialmente perigoso.

    Acredito no altruísmo, mas em um altruísmo invisível.

  5. Arddhu disse:

    Não sei se concordo inteiramente Giseli. Sou da opinião de que o altruísmo é mais uma valor defendido da forma errada.

    O fato de fazermos algo a alguém sem visar o ganho próprio (o que define altruísmo) não é de todo uma ação isolada. Nem mesmo quando dizemos que o altruísmo é ver o bem dos outros antes do seu.

    Bem sabemos que toda ação gera uma reação, e na mesma intensidade, no caso um ato considerado “altruísta” gera uma reação de “satisfação”.

    Talvez então seja correto dizer que o altruísmo é na verdade um valor útil ao ser humano enquanto “organismo social”.

    No seu caso relacionado a presentear amigos e pessoas queridas fica claro que você tem satisfação nisso, e penso eu com meus botões, não é a satisfação consigo um ganho talvez da maior escala?

    Não gosto de aparentar ser distópico, longe disso, mas vejo que o altruísmo no geral é uma característica utópica professada de forma simplista visando inserir valores humanitários em uma humanidade cada vez mais perdida, distante de um Bem e valores absolutos quando descobrem que nada é “verdadeiro”.

    Muito bom o texto, realmente dá bastante no que pensar.

    Quem sabe com iniciativas como a sua consiga se “viralizar” a conscientização dos que não possuem valores altruísticos a terem, a partir do momento que encontrarem pequenas fontes de luz espalhadas num mundo de escuridão tenham a coragem de acender cada um suas pequenas velas.

  6. Renato Gontijo disse:

    Deixe me pensar.
    (Pensando. 10%… 25%… 40%… 55%… 70%… 85%… 100%.)

    O altruísmo na verdade é um sinônimo para solidariedade, mas se estivéssemos em uma sociedade totalmente altruísta, não existiria o conceito do egoísmo. Ambos são extremamente necessários para a manutenção do equilíbrio.
    Nos dias de hoje a sociedade tem se tornado mais e mais individualista, um egoísmo acentuado, um desequilíbrio das forças (star wars?! :/). Penso que o altruísmo é uma forma de pensar no coletivo, a força que prevalece na convivência em sociedade.

    Porém o excesso de solidariedade evita o desenvolvimento do ser (o sentimento de pena, por exemplo) Uma vez li uma frase em um dos livros de Nietzsche que me fez pensar nisto (O ser humano é a única espécie que dá a chance do fraco sobreviver, devido ao sentimento de pena – Algo mais ou menos assim).
    A natureza é seletiva e adaptativa, e temos que nos encaixar.

    (Compilando. 10%… 25%… 40%… 55%… 70%… 85%… 100%.)

    Não é possível ser altruísta a todo momento, se pensássemos uma sociedade totalmente altruísta onde todos pensassem nos outros não teríamos a necessidade de pensarmos em nós mesmos. Certo?
    Creio que o indivíduo é único e o que mantém a individualidade é justamente a diversidade de opiniões e pensamentos, logo não é possível preverem todos os nossos passos. O egoísmo é necessário para pensarmos em nós mesmos, para que cada um tenha o seu momento consigo mesmo.

  7. Bruno Quint disse:

    Infelizmente eu sou um dos que vejo o altruísmo com desconfiança. To tão acostumado com gente abusando de mim e da minha boa vontade ou querendo se passar de bonzinho só pra conseguir algo que eu me fechei completamente.

    Hoje eu exercito a prática da recepção. Saber receber um carinho, um presente ou até mesmo um elogio não é tão simples quanto parece. Não quando falamos de uma recepção verdadeira.

    Mas isso é uma prática e a luta pra nos tornarmos alguém melhor é diária e incessante.

    • Camila Fernandes disse:

      “Tá, não é sempre, mas sabe quando você passeia por aí e vê algo que tu acha que algum amigo/alguém da família vai gostar e resolve comprar na hora?”

      Gi, para mim esses são os presentes mais legais, pois independem de uma data comercial ou um sentimento de obrigação.

      Às vezes eu própria tenho medo de ser generosa demais e parecer que estou tentando comprar o favor ou o amor das pessoas, embora eu não veja dessa forma a generosidade alheia. Já fui muitíssimo generosa, mas por conta de alguns tropeços acabei me tornando egoísta, talvez mais do que deveria.

      Não acho que o altruísmo seja incompatível com o egoísmo. Embora sejam conceitos antagônicos, existe uma forma de egoísmo saudável, ditado pelo sentimento de auto-preservação, que impede que você atropele suas próprias necessidades para beneficiar outros. Da mesma forma, existe um altruísmo negativo, que faz com que você tire tudo de si para dar aos outros, às vezes por acreditar que eles sejam mais importantes do que você ou que, se você não der nada, ninguém vai te amar.

      Até a melhor das práticas pode cair no doentio.

      Equilíbrio é a palavra! Dá pra ser um egoísta do bem e um altruísta moderado. Dá pra ser generoso sem se violar, dá pra saber dizer não sem agredir os outros.

      Acredito que viveríamos num mundo bem melhor se tivéssemos mais pessoas assim como você, que, independendemente do valor material dos presentes, está focada no valor das pessoas. 😉

  8. Camila Fernandes disse:

    Curioso notar que a sessão de comentários virou uma espécie de confessionário. Parece que todos nós já tivemos uma experiência traumática com o altruísmo. 😛

  9. Giovani Duarte Oliveira disse:

    O Altruísmo é na verdade, a capacidade do ser humano, de pensar antes nos outros, no entanto, todo o comportamento tem um ponto de equilibrio. Devemos pensar nos outros antes, dando a vez para entrar no elevador, concedendo a oportunidade de sentar diante de um banco só, ceder a vez no transito, deixando quem está esperando passar à frente. Ainda temos outros exemplos, como ao se servir, oferecer antes ao próximo, seja conhecido ou não, e dentre outras formas, sempre analisando a forma de equilibrio de modo a não ser mal visto a ponto de as pessoas desconfiarem. Assim, o altruismo deve ser praticado sempre, porém, evitando forma pelas quais as pessoas que estão sendo beneficiadas com seu comportamento altruista tenham receio ou desconfiança. Todo comportamento tem um ponto de equilibrio e o importante é sabermos esse ponto. Cordial abraço!

  10. Jorge disse:

    Hey Gi !
    Bom, altruísmo extremo seria algo do tipo nós darmos todos os nossos pertences materiais para os outros, o que não faria bem nenhum a niguém. Também um exemplo extremo poderia ser do altruista hedonistas que deixaria todos faerem usufruto do seu corpos, para saciar os carentes sensuais deste mundo :))
    Também não creio que esta seja uma boa idéia.

    Acredito num Mittelpunkt entre agir com compaixão pelos outros e agir pensando só em nós mesmos. O caminho do meio sempre é o melhor caminho.

    Bjs

  11. Felipe disse:

    Bom,
    creio que antes de mais nada é necessário clasificarmos melhor esse termo. “Altruísmo” significa caridoso, filantrópico, aquele que ama o próximo e abdica de suas necessidades em pró de outras pessoas. Muitose engana aquele que se intitula como tal por se desfazer de bens materiais muitas vezes supérfluos.
    O verdadeiro altruísmo esté muito mais nas atitudes do que nos “presentes”.
    Para começar, quantas vezes o que não precisamos muito mais de companhia, de palavras amigas do que de presentes de caráter qualquer. Aliás, conheço muitas abastadas que distribuem presentes por aí para se livrarem da culpade não provir o que elas realmente precisam, coisas básicas como amor, atenção, compassividade. Acredite, estarás sendo uito mais altruísta perdoando alguém que o tenha ofendido, do que presenteando parentes que as vezes nem precisavam de nada. Altruísmo também não se limita a ser cordial, isto deve partir do seu estado espírito que se verá alegre por ajudar aos outros, por ver pesoas crescendo, e se livrando de agonias que poderiam ser suas.
    Um exemplo, um amigo está passando por problemas financeiros, porque não compete ao exercício proficional ao qual se dedica. Suponhamos que você lhe empreste dinheiro, você o estará apenas adiando seu destino, que será a falencia. Porém se você dedicar umas horas do seudia a convencê-lo de uma profissão que melhor se encaixe ao seu perfil, e se possível, ajudá-lo a pagar um curso profissionalizante, ele não só sairá do buraco, como também terá uma nova vida graças ao seu encaminhamento. Mas cláro, quem é que abdica de sua academia para inestir no futuro dos outros?!
    Outro exemplo: Quantas pessoas não ando por aí em paranóia por terem perdido a afeição dequeles que estimavam por alguma ofensa qualquer? Seja verbal, física ou moral, o efeito é o mesmo, um terrível sentimento de culta cujo único presente desejado seria o perdão da pessoa a quem ofendeu, mas que por orgulho ferido, oriundo do “egoísmo” que é contrário do altruísmo, se nega terminantemente a sequer estender a mão.
    Pois é, ta aí o seu dever de casa. Quem sabe não é você mesmo essa pessoa? Procuremos então buscar o verdadeiro altruísmo, que é o altruísmo moral, que material virá por consequencia.
    Procuremos ser menos irredutíveis comos sentimentos alheios, pensar um pouco no que outros pensam ao invés de pensar, “o que será que os outros pensam de mim!”. Somente assim poderemos dexar de ver o altruísmo como fraqueza, para pensarmos como um ponto forte, uma vez que é muito mais difícil e igualmente muito mais nobre abdicarmos de nosso orgulho em prol de nosso próximo.
    Começe perdoando, dando bons concelhos, parando de perder tempo falando mal das pessoas, fofocando, livrando-se de antigos preconceitos, parando de pensar sempre o pior, sendo mais compreensível mesmo com os mais vulgares comentários, se desfazendo de bens que você não necessita, e verá que ser altruísta é bem menos penoso do que parece, além de ser sem sombra de dúvidas, uma virtude dos fortes, e jamáis dos fracos.

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