Emulação do cérebro em tão pouco tempo?

Há tempo atrás vi algumas notícias relacionadas a uma palestra no TED de Henry Markram, diretor do projeto Blue Brain que tem como objetivo a simulação do cérebro por meio de engenharia reversa até o nível molecular.

A palestra ganhou destaque não só por causa do objetivo ambicioso (afinal, fazer um cérebro sintético não é moleza) mas também porque o diretor prevê que, em até 10 anos, já teremos um cérebro sintético funcional. Admito que acho meio difícil de acreditar, dado o histórico de previsões furadas na área de computação, mais ou menos no estilo daquela previsão da Popular Mechanics de 1949 sobre os computadores do futuro (a revista dizia mais ou menos assim: “Os computadores do futuro deverão ter apenas mil tubos de vácuo e pesar 1,5 mil toneladas”).

Tá, verdade que várias outras previsões foram acertadas e a computação atual está evoluindo rápido, ainda mais com os avanços promissores da computação biológica e quântica. Mas fazer estimativas no campo da inteligência artificial em um estágio que nem sabemos direito o que é consciência e como pensamos? Será que uma engenharia reversa do cérebro pode mesmo elucidar os mistérios do cérebro?

Os recursos computacionais do projeto Blue Brain são impressionantes, cada neurônio modelado exige o equivalente a um laptop. E como os pesquisadores conseguiram criar um modelo tridimensional com 10 mil neurônios, é como se tivéssemos 10 mil laptops rodando, um para cada neurônio.

Inicialmente os pesquisadores simularam um cérebro de rato, cujos neurônios eram estimulados apenas por correntes elétricas, mas posteriormente os neurônios se organizaram espontaneamente em um padrão mais complexo ainda. Isso é bem interessante, pode indicar que o padrão de neurônios auto-organizáveis evolui para algo que chamamos de personalidade. Natural especular que se isso ocorreu com o cérebro de rato simulado, o mesmo poderia acontecer com o cérebro humano simulado. E se a consciência emergir?

Apesar de minhas simpatias por IAs insanas como a Skynet e Wintermute (personagem de Neuromancer), torcerei para que a consciência que emergirá (se emergir) dessa simulação seja benevolente, pelo menos comigo.

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Sobre giseli

Eu: Engenheira, sedenta por bits e chocólatra assumida. Além de ser fã de IAs, principalmente Wintermute e HAL9000
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12 respostas para Emulação do cérebro em tão pouco tempo?

  1. Pingback: Tweets that mention CyberGi » Emulação do cérebro em tão pouco tempo? -- Topsy.com

  2. renata gomes disse:

    é estranho achar que os caras vão conseguir simular um cérebro de rato, se na robótica, ainda não chegamos completamente ao nível das baratas…

    • Giseli Ramos disse:

      Renata, o campo da robótica e da IA tem que ter mesmo alguns objetivos ambiciosos para alavancar o desenvolvimento. Afinal, não seria lá muito divertido (e bonito) uma emulação de barata, não é? =D Mas ainda chegaremos lá, afinal, ratinhos são universalmente mais fofinhos que baratas (minha opinião…).

  3. André T. disse:

    Que negócio legal! Vou ler a respeito, mas também me parece bem otimista o prazo que deram.

    Bom, eu não tenho medo não. Acho que temos mesmo o tal ‘complexo de frankestein’ de que o Asimov tanto falava.

  4. Demian disse:

    Muito legal o post Gi.

    Mas para a IA emergente ser bondosa para contigo, ao menos da forma cutch cutch que minha imaginação evoca, acho que no processo de construção será necessário inserir o equivalente lógico de receptores de ferormônios, sem contar estruturas instintivas, para que o golpe da donzela em perigo funcione.

    • Giseli Ramos disse:

      Hahaha, gostei do “donzela em perigo”, Demian! =P É, teria que ser algo tipo codecs emocionais, por aí. O estudo das emoções artificiais ainda está engatinhando e nem se sabe se seria útil ter isso nos robôs. Vamos ver como será no futuro… =)

  5. Jorge disse:

    Outro Mindfucking post da Gi ! Valeu, garotona por trazer este tema à baila. Eu não conhecia nada da pesquisa do Markram e achei um ótipo tópico. Valeu !

  6. Pingback: CyberGi » Vídeo da palestra sobre Blue Brain

  7. Mila F disse:

    Gi, seus posts são de pirar o cabeção, muié. Você realmente consegue falar de ciência de maneira que leigos consigam ententer.

    Mas sobre esse assunto você já sabe o que penso. Não sou cientista, nem tenho formação em área científica, mas o projeto me parece meio que um tiro no pé. Empolga, lógico, mas qual é o objetivo mesmo de se criar uma IA? Se uma verdadeira inteligência artificial tem consciência, então tem vontade própria. Se tem vontade própria, então não pode ser criada com propósitos específicos, como exploração lunar ou situações de perigo mortal para humanos – afinal, tendo vontade própria, ela pode perfeitamente se voltar contra esses propósitos e fazer qualquer outra coisa que deseje, desde criar coelhinhos até metralhar pedestres. A não ser que haja um jeito de incutir um senso de dever e moral na IA no próprio ato da sua criação – ou seja, lavagem cerebral já no “berço”. E que seja uma moral inabalável, uma programação que não se pode quebrar, porque essa garantia a gente não tem nem com os próprios filhos, por melhor que os eduque. Do contrário, não vejo como isso poderia não virar uma Snynet, Matrix ou HAL9000.

    Independente disso, o tema é interessante. E já que está sendo levado a sério, vamos ver no que vai dar. Eu espero estar errada. 😉

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