Minha relação com o eletromagnetismo

Sempre gostei das equações do eletromagnetismo, criadas por Maxwell. Tá, apesar de apanhar muito dessas equações na graduação, as amo do mesmo jeito. Para quem não sabe do que estou falando… bom, duas versões. Resumida: são um conjunto de quatro equações que essencialmente explicam tanto os fenômenos elétricos como os magnéticos e esses dois fenômenos estão relacionados (por isso a palavra eletromagnetismo).
A outra versão, minha predileta, a matemática:

\nabla \cdot \mathbf{D} = \rho \\ \nabla \cdot \mathbf{B} = 0 \\ \nabla \times \mathbf{E} = -\frac{\partial \mathbf{B}} {\partial t} \\ \nabla \times \mathbf{H} = \mathbf{J} + \frac{\partial \mathbf{D}} {\partial t}

Bom, indo direto ao que eu queria falar… Um recurso muito útil para mim e para outros deficientes auditivos que portam aparelhos auditivos e implantes cocleares é o chamado modo T, abreviação de T-coil, ou em bom português, bobina de indução. É aí que o eletromagnetismo vem ajudar: é um fio da bobina que pega o campo magnético variável da parte do fone de ouvido do telefone/celular. É como se fosse um transformador em duas partes, metade no aparelho/implante e a outra no dispositivo no qual quero ouvir. Aí é fazer eles se acoplarem, diminuindo a distância entre eles.

A vantagem de usar esse modo é que não escuto o som do ambiente, apenas escuto o que o telefone transmitir. Como qualquer coisa sempre tem seu lado ruim, é que é muito sujeito a interferências eletromagnéticas de outros dispositivos.

Afinal, estamos rodeados de ondas eletromagnéticas de tudo quanto é canto, tanto do computador, da televisão, dos fios dos postes, das lâmpadas fluorescentes (sim, elas adoram meter o bedelho no meu aparelho), enfim, não vivemos sem eletricidade. Mas felizmente não é qualquer coisa que vá atrapalhar meu aparelho, só se certas condições forem satisfeitas. Pior é que não sei especificar que condições são essas, mas em geral, quando vou usar esse modo para falar ao telefone, não fico perto de: computadores desktop (notebooks não afetam, felizmente), máquinas de lavar, televisões (pelo menos as do tipo CRT) e outras coisas embutidas no ambiente. A universidade onde estou é uma “excelente” fonte de interferência EM de tanta tecnologia que tem que tenho que ir sempre para fora dos prédios para conseguir usar o telefone e ouvir algo ¬¬

E é por isso que não consigo falar ao telefone em qualquer lugar. Tipo, no metrô de SP (onde tem sinal de celular em algumas linhas). Putz, se eu botar no modo T no metrô… meu córtex auditivo (ou o que for responsável pelo som) enlouquece.

Há uma alternativa quando o ambiente impede o uso do modo T, é tentar ouvir na marra no modo “normal”, que é o modo padrão dos aparelhos e dos implantes, para pegar os sons dos ambientes. É sempre meu plano B, quando não há jeito.

Nas minhas rápidas pesquisas, descobri que alguns lugares oferecem acessibilidade ao deficiente, disponibilizando um tipo de “amplificador T-coil” no ambiente, onde ele pode ouvir o que for transmitido nesse ambiente, por exemplo, em alguns aeroportos dos EUA há esse dispositivo. Também tem em auditórios, teatros e em outros lugares, mas nunca testei nos teatros daqui. Pelo menos não vi aqui (ou não tô sabendo) de um lugar disponibilizando isso 😦 E quando disponibilizam, avisam com uma plaquinha tipo essa:

Deaf-friendly

Deaf-friendly

Apesar de não entender 100% do que as pessoas falam ao telefone (meu, telefone não é lugar para falar rápido), não deixo de usar o telefone e continuo treinando meu ouvido (agora posso usar o telefone dos dois lados). Bom, vou lá dar uma ligadinha…

PS: E se alguém ver a tal plaquinha aqui em SP ou em outro lugar, faz favor de avisar para eu ir testar? 😀

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Sobre giseli

Eu: Engenheira, sedenta por bits e chocólatra assumida. Além de ser fã de IAs, principalmente Wintermute e HAL9000
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12 respostas para Minha relação com o eletromagnetismo

  1. André T. disse:

    Como ficar alucinado usando estática e bolinhas de ping-pong:
    http://www.boston.com/bostonglobe/ideas/graphics/011109_hacking_your_brain/

    Não testei se funciona.

    Ah, e as equações do Maxwell são realmente lindas. Até pra mim, que não entendo nada.
    Ótimo post! Muito interessante acompanhar os seus progressos cybernéticos 😀

  2. Romeu Martins disse:

    Muito legal o post; é o tipo de preciosidade do cotidiano de uma Giborgue que nos escapa, mesmo na melhor literatura cyberpunk 😉

  3. Fabio disse:

    Gi, que post sensacional!! Estava com saudades de ler você e suas aventuras cocleares!!

  4. Giseli Ramos disse:

    Ixi, @André T. , eu já tenho o metrô de SP para alucinar minhas cócleas, não sei se vou tentar esse experimento aí que tu falou hehe. E obrigada pela visita 🙂

  5. Giseli Ramos disse:

    Obrigada @Romeu Martins e @Fabio ! Quem sabe futuramente eu escreva algo como Diário de uma Ciborgue hehe. 😀

  6. Pingback: Tweets that mention CyberGi » Minha relação com o eletromagnetismo -- Topsy.com

  7. Aylons disse:

    Eu acompanho o seu site há muito tempo, e fiquei fascinado agora com esse conhecimento das lindas leis de Maxwell! Coisa rara de se ver até entre quem estuda engenharia, e deveria conhecer elas de cor.

    Estudo engenharia de telecomunicações, tenho muito interesse nessa área de biomédica e sensorial, e veja, não sou o único, nem de longe, na minha turma – mesmo sendo uma turma de uns 6 alunos, só. Pena que tem pouco desenvolvimento nessa área, no Brasil, como de costume, costumamos comprar pŕonto :c/

  8. Ei, genial o post! Agora, acho que recebi uma ligação hoje enquanto voltava de moto do trabalho e não atendi… por motivos óbvios… mas que eu agora fico arrependido de não ter como atender!!! :\\\

  9. Giseli Ramos disse:

    Que legal, @Aylons , eu acho interessante engenharia biomédica (era uma das linhas de pesquisa quando fiz graduação), quem sabe seu trabalho renda algum fruto 😀

    Oi, @Fernando S. Trevisan , não se preocupa não, em outra ocasião tentarei repetir o experimento hehe. Valeu! 🙂

  10. Jorge Pereira disse:

    Excelente post Gi, preciso e muito informativo. Infelizmente, as pessoas que precisam de atendimento a necessidades especiais são deixadas ao relento, pois a legislação específica é muito pouca e tem sérias deficiências no seu cumprimento..

  11. Mila disse:

    “Diário de uma Ciborgue”. Taí, gostei… Que tal uma obra de FC em que implantes cocleares sejam apenas o início? Pós-moderno, pós-humano, pós-gênero, pós-tudo! Demorou pra escrever, Gi.

    Espero que os teatros & afins de Sampa já estejam adaptados a esse tipo de necessidade.

    Beijão…

  12. Pingback: CyberGi » Quando ouvir demais não é bom

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