Ilusões auditivas e nuances dos sons

Estava fuçando no meu Google Reader quando me deparei com um item compartilhado pelo cbragatto, sobre um tipo de ilusão auditiva, o tom Shepard, em que um som, quando executado continuamente, cria a ilusão de ascender ou descender em tons, sem precisar da mudança no pitch. Meio que como um equivalente auditivo daquele cilindro usado por barbeiros antigos, que girava continuamente (para entender do que tô falando, é o tal do barber’s pole). Interessante, não?

Quando ouvi isso, me lembrei de um experimento que fiz com um amigo meu que tocava violão. Ele ficava executando notas diferentes no violão e me testava, perguntando se era mais grave ou mais agudo. E se tinha um ou mais tons. Putz, é difícil viu. Apesar de ouvir bem o som, não consigo distinguir as notas musicais dos instrumentos musicais. Ou as vizinhanças da nota (entenda como as notas que precedem e que seguem à atual). E para piorar, ainda executava em sequência 2 ou 3 notas e me perguntava quais foram tocadas. Nessa etapa, apanho mesmo para valer. Espero chegar a um ponto de conseguir distinguir o básico das notas, porque ter um ouvido musical já é pedir muito.

E isso me leva a outra coisa, meio diferente, que vi nesse post, sobre como cada pessoa deficiente auditiva ou surda saca os sons. É legal ver o ponto de vista de outros implantados, pois gosto de saber se temos uma espécie de “protocolo universal auditivo” ou se cada implantado tem seu próprio “protocolo auditivo”. Nesse post que mencionei, ela diz que tem uma coisa meio sinestéstica aí. E percebo que eu também faço algo parecido (mas não igual). Assim, para conseguir saber o que as pessoas falam, vocabulário é MUITO importante para mim, para usar como banco de dados, pois faço umas “simulações” das palavras na cabeça (é, ouço sons na cabeça mesmo, quando faço as simulações :P) e tento achar uma correspondência com o que a pessoa falou. É por isso que às vezes demoro um pouco para reagir ao que dizem. E também porque conversas em grupo são complicadas para mim, pois exige um tempo de reação muito rápido (para fazer as simulações e achar as correspondências). E não consigo aprender palavras novas só ouvindo, preciso ver a palavra por escrito (soletrar também resolve, mas não ajuda muito na memória). Ou seja, dependo muito fortemente de pistas visuais, e a leitura labial não é o único auxílio de que lanço mão…

Pode soar meio esquizofrênico esse negócio de simular os sons internamente, mas quebra um galho. E tenho notado que os tempos de reação estão cada vez menores com o uso do implante coclear 😀

Fonte:
Holy audio illusion!

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Sobre giseli

Eu: Engenheira, sedenta por bits e chocólatra assumida. Além de ser fã de IAs, principalmente Wintermute e HAL9000
Esse post foi publicado em Implante coclear e marcado . Guardar link permanente.

7 respostas para Ilusões auditivas e nuances dos sons

  1. Pingback: Tweets that mention Ilusões auditivas e nuances dos sons | CyberGi -- Topsy.com

  2. Gi, eu também erraria feio em qualquer um dos testes com o violão que você descreveu! Desafino até tocando campainha. 🙂

    Muito interessante o tom Shepard, eu só conhecia o “Endlessly Rising Canon”, de Bach, citado pelo Hofstadter no maravilhoso “Gödel, Escher, Bach”.

  3. Benê disse:

    Sinceramente, você é uma garota impressionante!!! Continue assim!!!
    Abração!

  4. ChicoPinto disse:

    Gisele,

    Não há nada de esquizofrênico em simular os sons internamente. Eu mesmo estou sempre fazendo isso…. Quando estou aprendendo um novo idioma!

    É que na lingua natal, a percepção das palavras é tão internalizada nas pessoas, que elas nem percebem, conscientemente, esse processo.
    Só quando você é confrontado com um novo conjunto de fonemas (como é o caso da aprendizagem de um novo idioma) é que dá para ver como é difícil reconhecer as palavras faladas.

    Portanto, não estranhe! As técnicas que você descreveu (falar mentalmente as palavras, comparar com um banco de dados prévio, etc…) são as mesmas que uma pessoa utiliza quando está treinando o ouvido para um novo idioma.

    Espero ter ajudado. 😉

    • Giseli Ramos disse:

      Bom, @Chico foi só um modo de dizer hehe, mas interessante sacar isso que fazemos para outros idiomas. Agora que percebi isso… vocês só não precisam fazer isso na língua materna felizmente, né? 🙂 Valeu pela visita.

      Valeu @Benê! 🙂

  5. Danilo disse:

    Adorei esse post! É impressionante o quanto eu aprendo quando entro no seu blog!
    Beijo!

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